O Governo dos Estados Unidos da América disponibilizou cerca de 40 milhões de dólares para a implementação do programa “Nutrir para Aprender”, uma iniciativa integrada de alimentação escolar, literacia e melhoria de infra-estruturas destinada a crianças do ensino primário dos distritos de Magude, Moamba, Manhiça e Matutuíne, na província de Maputo.
Com duração de seis anos, o programa, lançado terça-feira (22), será executado pelo Governo de Moçambique, em parceria com a Save the Children, uma das maiores organizações humanitárias internacionais, com intervenção particularmente direccionada às crianças.
A iniciativa prevê a confecção de refeições diárias em 245 escolas, abrangendo anualmente cerca de 80 mil alunos. O programa contempla igualmente a disponibilização de instrumentos de monitoria da assiduidade, bem como a formação e acompanhamento de pelo menos 510 professores.
Entre os objectivos está ainda a identificação de crianças com fraco desempenho escolar ou em risco de abandono, para posterior encaminhamento aos clubes de recuperação da aprendizagem.
Na área da saúde e nutrição, o programa prevê a criação de cantos de saúde em 50 escolas, a desparasitação de cerca de 40 mil alunos e a instalação de hortas escolares em outras 50 escolas, envolvendo mais de 15 mil alunos.
No domínio das infra-estruturas, serão reabilitadas cozinhas e armazéns de 200 escolas, enquanto 30 escolas deverão beneficiar de infra-estruturas de água e saneamento.
Falando durante a cerimónia de lançamento, realizada na Escola Primária de Coanini, no distrito da Manhiça, a directora da Save the Children, Ilaria Manunza, afirmou que a iniciativa pretende contribuir para a melhoria da aprendizagem, da nutrição e do bem-estar das crianças, reforçando os esforços já desenvolvidos pelo Governo moçambicano nestas áreas.
“Uma criança que chega à escola com fome, dificilmente consegue concentrar-se, aprender, sonhar ou construir o seu futuro. Quando uma criança recebe uma refeição nutritiva na escola, ganha muito mais do que alimento; ganha uma oportunidade; a oportunidade de aprender melhor, de permanecer na escola, de crescer mais saudável e de acreditar que o futuro pode ser diferente”, disse Manunza.
A responsável defendeu que investir numa criança que aprende e se alimenta bem representa uma aposta numa comunidade mais forte no futuro.
“Por isso, esperamos que a comunidade internacional continue a colocar as crianças no centro das suas prioridades, porque as suas necessidades permanecem tão relevantes e urgentes como sempre”, acrescentou.
Por seu turno, a encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA em Moçambique, Abigail Dressel, considerou o lançamento do programa um sinal das relações de cooperação, amizade e solidariedade entre os dois países, destacando o investimento no futuro de Moçambique e dos Estados Unidos da América.
“Juntos estamos a fazer que os nossos dois países sejam mais fortes, mais seguros e mais prósperos”, afirmou.
O governador da província de Maputo, Manuel Tule, apelou à aplicação transparente e responsável dos recursos disponibilizados, sublinhando a necessidade de as escolas e comunidades aproveitarem a iniciativa para reforçar a produção alimentar.
“Queremos igualmente encorajar aqui as escolas e as comunidades a aproveitarem esta oportunidade para fortalecer as iniciativas de produção alimentar; é esta visão integrada que deve orientar os nossos esforços e inspirar-nos a continuar a procurar soluções concretas para os desafios que afectem as nossas crianças e as suas famílias”, disse Tule.
O programa dá seguimento ao Memorando de Entendimento assinado em Maputo, em Maio último, entre o Ministério da Educação e Cultura e a Save the Children.




