A liquidez em circulação na economia moçambicana não para de crescer. Segundo dados do Banco de Moçambique citados pelo Diário Económico, o volume de dinheiro físico nas mãos do público e dos bancos registou o seu quarto mês seguido de expansão em Julho, ao subir 0,5% e atingir um recorde próximo dos 77 mil milhões de meticais (cerca de 1,04 mil milhões de euros).
Texto: Dossier Económico
O cenário actual contrasta fortemente com o arranque do ano. Após fechar Dezembro de 2025 nos 75 mil milhões de meticais, a massa monetária encolheu para a casa dos 69 mil milhões em Janeiro, afundando até ao mínimo de 67,4 mil milhões em Março. Contudo, a tendência inverteu-se radicalmente a partir de Abril (70,8 mil milhões de meticais), engrenando uma subida ininterrupta até ao pico de Julho.
Sendo a quantidade de numerário um termómetro vital da liquidez e do risco de inflação, o comportamento do indicador ganha relevância num contexto de aperto monetário. No final de Julho, o Comité de Política Monetária (CPMO) optou por congelar a taxa de juro de referência (MIMO) nos 9,25% – travando um ciclo de sucessivos cortes iniciado no começo de 2024.
Na altura, o Banco de Moçambique justificou a prudência pela necessidade de absorver a liquidez em moeda nacional, recorrendo, inclusive, ao agravamento do coeficiente de reservas obrigatórias para os bancos comerciais de 29% para 39%.
A autoridade monetária admite que a inflação possa sofrer solavancos no curto prazo, mantendo a expectativa de que regresse a um único dígito no médio prazo. O rumo da política monetária voltará a ser discutido na próxima reunião do CPMO, agendada para 30 de Setembro.




