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Parruque quer turismo mais dinâmico na Matola

O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, defende uma nova abordagem ao turismo no município, assente na diversificação da oferta, valorização do património histórico e cultural e utilização de tecnologias digitais e inteligência artificial para promover a cidade como destino turístico, de negócios e de eventos.

Texto: Clara Mulima

“Não queremos ser apenas o maior polo industrial do país; ambicionamos consolidar a Matola como um polo de turismo cultural, de negócios e de eventos de escala regional”, afirmou Parruque esta quinta-feira, 24 de Setembro, durante um workshop alusivo ao Dia Mundial do Turismo, realizado sob o lema “Agenda Digital e Inteligência Artificial para Redesenhar o Turismo”.

Segundo o edil, a Matola possui condições para ampliar a sua oferta turística, tirando maior partido dos empreendimentos de hotelaria, restauração e lazer existentes, bem como dos seus activos históricos, culturais e naturais.

Entre os principais pontos de interesse, destacou o Monumento e Centro de Interpretação da Matola, que considera um espaço importante para a preservação e projecção da memória histórica da cidade e do continente africano.

O município pretende igualmente valorizar os seus eixos gastronómicos, culturais e de lazer, ao mesmo tempo que procura explorar o potencial do Rio Matola, do seu estuário e da Baía de Maputo para actividades turísticas e náuticas, observando critérios de sustentabilidade ambiental.

Para Parruque, a transformação digital constitui outra frente essencial para tornar a Matola mais visível e competitiva no mercado turístico.

“Na actualidade, a jornada do turista inicia-se no ecossistema digital. A pesquisa, a escolha e a contratação de serviços ocorrem prioritariamente através de plataformas online. Consequentemente, a visibilidade e a competitividade da Matola dependem da nossa capacidade de afirmação no espaço virtual”, explicou.

Neste contexto, defendeu a criação de roteiros turísticos inteligentes, com recurso a guias interactivos e realidade aumentada, bem como o uso da inteligência artificial para compreender o comportamento dos visitantes, antecipar tendências e melhorar a promoção dos atractivos da cidade.

A estratégia deverá abranger igualmente o turismo de negócios e de eventos, beneficiando da vocação industrial e empresarial da Matola e da existência de infra-estruturas de apoio, incluindo unidades hoteleiras, restaurantes e espaços para eventos.

Parruque defendeu, contudo, que a modernização tecnológica não deve afastar a componente humana do turismo.

“A tecnologia deve actuar como um vector de capacitação do capital humano, e nunca como um substituto da hospitalidade e do acolhimento que historicamente nos definem”, afirmou.

O edil considerou ainda fundamental garantir que a digitalização beneficie não apenas os grandes empreendimentos, mas também os micro e pequenos operadores turísticos locais, permitindo-lhes promover os seus serviços e alcançar novos mercados.

“O Conselho Municipal assume o compromisso inabalável de manter um diálogo aberto e construtivo com o sector privado, que constitui o motor económico do turismo na base”, declarou.

Parruque enquadrou esta visão nas iniciativas nacionais de desenvolvimento do sector, com destaque para o Projecto de Turismo Sustentável para a Criação de Emprego em Moçambique (MozTurismo), desenvolvido em parceria com o Banco Mundial e que coloca o sector privado no centro da transformação do potencial turístico em cadeias de valor mais sólidas e sustentáveis.

Para o Presidente do Município da Matola, a aposta no turismo deve resultar em medidas concretas capazes de transformar os activos culturais, naturais e empresariais existentes numa oferta turística diversificada e competitiva.

“Modernizar a Matola através da inovação não significa abdicar da nossa matriz identitária. Pelo contrário, a tecnologia deve servir para salvaguardar e projectar a nossa cultura com maior dignidade e alcance global”, defendeu.

O workshop reuniu diferentes intervenientes do sector e serviu para discutir estratégias de desenvolvimento turístico sustentável, com enfoque no uso das tecnologias digitais e da inteligência artificial na promoção dos atractivos da Matola, na melhoria dos serviços e no envolvimento das comunidades locais.

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