A Província de Maputo pretende vacinar 52.351 cães e gatos contra a raiva até ao final de 2026, numa altura em que as autoridades registam 893 casos de mordeduras de animais carnívoros apenas até Agosto. O número representa quase metade dos 1.774 casos contabilizados ao longo de 2025 e mantém as autoridades em alerta, sobretudo devido à vulnerabilidade das crianças. O anúncio foi feito pelo director provincial da Agricultura e Pescas, Paulo Cossa durante a cerimónia alusiva ao Dia Mundial da Luta contra a Raiva, que decorreu sob o lema “Mais Fortes, Juntos”, na vila autárquica da Matola Rio em Boane.
Segundo Cossa, a vacinação animal continua a ser uma das principais ferramentas para travar a circulação da doença e reduzir o risco de transmissão aos seres humanos, entretanto, os dados revelam que a província ainda está distante da meta estabelecida para este ano.
Até ao momento, foram vacinados 5.147 animais, contra uma meta anual de 52.351, e em 2025, a cobertura foi ainda mais baixa, com apenas 9.850 animais imunizados.
“Estes resultados demonstram que ainda temos um caminho significativo a percorrer para alcançar a meta estabelecida”, reconheceu Cossa, apelando ao envolvimento dos proprietários de animais e das comunidades.
Para o dirigente, a responsabilidade não deve recair exclusivamente sobre as autoridades veterinárias, mas aos donos de cães e gatos que devem garantir a vacinação dos seus animais, mantê-los sob controlo e procurar imediatamente assistência médica sempre que ocorrer uma mordedura.
A preocupação das autoridades é particularmente elevada em relação às crianças, consideradas um dos grupos mais vulneráveis às mordeduras, defendendo, por isso, o reforço das campanhas de sensibilização nas comunidades, sobretudo para ensinar as crianças a não se aproximarem ou brincarem com animais desconhecidos, especialmente cães que apresentem comportamento anormal, estejam feridos ou aparentem estar doentes.
Apesar do cenário de risco, a Província de Maputo apresenta um indicador considerado positivo, desde 2019 não regista mortes humanas por raiva, um resultado que segundo Cossa, é fruto da conjugação de esforços entre a Direcção Provincial da Agricultura e Pescas, os serviços de saúde, os governos distritais e outras estruturas locais, que têm desempenhado um papel importante na mobilização das comunidades para a vacinação dos animais.
O responsável destacou igualmente a existência de vacinas anti-rábicas nas unidades sanitárias, permitindo que pessoas mordidas por animais possam receber assistência.
“Este é um sucesso conjunto institucional”, afirmou, sublinhando que a prevenção da raiva exige uma resposta articulada entre os sectores da agricultura, saúde e administração local.
Questionado sobre a disponibilidade de vacinas para cumprir a meta de mais de 52 mil animais, Cossa garantiu que o stock está assegurado, “Em relação ao aprovisionamento, estamos óptimos. O que nós precisamos é de animais para podermos vacinar”, declarou.
A campanha conta com equipas móveis da Direcção Provincial da Agricultura e Pescas, posicionadas nos distritos e comunidades, a vacinação é realizada ao longo do ano, através de ciclos regulares, envolvendo brigadas mistas compostas por instituições públicas, clínicas veterinárias e parceiros de cooperação.
Cossa revelou ainda que as autoridades têm intensificado a fiscalização e o licenciamento das clínicas veterinárias existentes na província, apelando às comunidades para denunciarem eventuais estabelecimentos que estejam a funcionar sem licença.
Segundo o dirigente, a prevenção da raiva passa também pelo controlo de animais vadios, área em que tem havido colaboração com os conselhos municipais.
Apesar da ausência de mortes humanas desde 2019, as autoridades defendem que o resultado não deve conduzir ao relaxamento das medidas de prevenção.
A cerimónia contou com a presença do administrador do distrito de Boane, Lázaro Bambamba, representantes de outros distritos da província, do Município da Matola-Rio e membros da comunidade, para além da Unidade Canina da Polícia da República de Moçambique (PRM), que realizou demonstrações das técnicas de treino e das diferentes formas de resposta dos cães, evidenciando a sua capacidade de actuação em diversas situações.



