O ex-presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, deposto no golpe de Estado de Novembro de 2025, anunciou o seu regresso ao País e confirmou que vai candidatar-se às eleições presidenciais marcadas para 6 de Dezembro. Em declarações à AFP, reproduzidas pelo Africanews, Embaló não revelou, contudo, a data em que pretende regressar.
A declaração surge num momento de preparação para o fim da transição militar. A junta, liderada pelo general Horta N’Tam, antigo colaborador de Embaló, marcou para 6 de Dezembro as eleições presidenciais e legislativas destinadas a restabelecer o poder civil. O actual líder de transição está impedido de concorrer à Presidência ao abrigo da Carta de Transição.
O regresso de Embaló poderá recolocar no centro da disputa política um dirigente que foi afastado do poder poucos dias depois das eleições presidenciais de Novembro de 2025, quando o processo eleitoral foi interrompido antes da divulgação dos resultados provisórios. Observadores citados pela AFP levantaram suspeitas de que o próprio Embaló teria estado por detrás do golpe para travar um processo eleitoral que, segundo essas interpretações, lhe era desfavorável – uma alegação que não é apresentada como facto comprovado.
O anúncio ocorre num quadro político particularmente delicado. Em Agosto, os eleitores aprovaram uma reforma constitucional que reforça os poderes do Presidente, incluindo a possibilidade de nomear e demitir o primeiro-ministro e dissolver o Parlamento. A junta defende que a alteração permitirá estabilizar as instituições, enquanto sectores da oposição contestaram o processo e apelaram ao boicote.
A Guiné-Bissau, independente de Portugal desde 1974, atravessa há décadas sucessivas crises políticas e militares. O País registou cinco golpes de Estado e várias tentativas de tomada do poder, num contexto agravado pela pobreza e pelo tráfico de droga. As eleições de 6 de Dezembro são apresentadas pelas autoridades de transição como o passo destinado a devolver o poder aos civis.




