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Faltam forças, vontade ou vendaval para abanar a árvore

– Camaradas querem que Chapo faça cair as frutas podres a que fez referência

Depois do discurso de encerramento da XI Reunião Nacional de Quadros do partido FRELIMO, realizada entre os dias 21 e 23 de Agosto último, no qual Daniel Chapo, na qualidade de presidente do partido FRELIMO, fez pronunciamentos que lhe valeram forte ovação, despertando, em simultâneo, alguma esperança de ver, no mínimo, certos aspectos ou decisões fortes a acontecerem no País, em especial uma provável mexida no Governo que ele próprio dirige, passados pouco mais de 30 dias, cresce a onda de comentários a lamentar a alegada falta de acção por parte do PR.

Texto: Dossiers & Factos

“O Presidente deixou-nos com muita expectativa. O seu discurso de encerramento levou-nos a acreditar que certas decisões já estavam no papel e que somente faltava a sua execução e que, a qualquer momento, poderíamos ser surpreendidos com a boa nova que o nosso chefe anunciou em público”, disse um dos membros do partido, que faz parte do Comité Central.

Aliás, para a mesma fonte, a boa nova anunciada deve ser acompanhada urgentemente por acções, até porque, no seu entender, em política não bastam apenas os discursos; são necessários também actos e decisões, ainda que seja polémicas ou mesmo controversas. Na verdade, devem ser tornadas realidade.

A mesma fonte, sem citar nomes, deixou entender que, em relação ao desempenho dos membros do Governo dirigido pelo Presidente Chapo, existem ministros que estão longe de atingir os resultados esperados face aos desafios para os quais foram incumbidos.

É justamente a esses ministros que o presidente do partido, que, em simultâneo, é Presidente da República e Chefe máximo do Governo, deve começar a dar sinais ao País e ao povo de que está preocupado com os resultados, tal como fez referência aquando da assinatura dos contratos-programa com os titulares de todas as pastas.

Esperar pela realização do Congresso pode ser tarde

A tese de que Daniel Chapo deve dar sinais de exigência ou de responsabilização pelos actos de cada governante ou de outros dirigentes de alto nível começa a ganhar contornos de generalidade. É que, para além dos ministros que pouco conseguem responder aos programas para os quais foram desafiados, segundo as nossas fontes, existem também problemas de relacionamento entre alguns ministros e secretários de Estado, comportamentos que, tal como asseguram as fontes, são do conhecimento de quem nomeou a todos: o Presidente da República.

Na mesma senda, entendem as nossas fontes que, a existirem situações em que secretários de Estado não se dão com os seus ministros, podendo acontecer o inverso, o Presidente da República não devia demorar na movimentação de um deles, dependendo das circunstâncias e das informações a serem apuradas. Para as nossas fontes, num ministério onde o titular da pasta não partilha nem colabora com o seu secretário de Estado, dificilmente se poderão alcançar os resultados esperados.

As nossas fontes receiam ainda que este compasso que o Chefe de Estado está a dar possa estar ligado à realização do Congresso, onde se espera que, ao nível do partido, Daniel Chapo saia mais forte com a constituição, por exemplo, de uma Comissão Política que ele próprio poderá influenciar para que seja composta por elementos da sua confiança. É neste pensamento que, para as nossas fontes, o tempo que separa o actual estágio do Congresso pode ser demasiado longo para que ele abane a árvore que contém as frutas podres identificadas pelo próprio Presidente e por ele anunciadas na Conferência Nacional de Quadros.

Não precisa de pedir que o deixem trabalhar: o PR deve impor-se

Outra fonte que aceitou comentar a governação do Presidente Chapo e os seus discursos, bem como as indirectas que tem proferido e os apelos que vários dos seus camaradas incluindo os diferentes emissários de palavras, têm feito, apelando para que as diferentes alas deixem o PR trabalhar, quer dentro do partido, quer ao nível do Estado e do Governo que dirige, entende que, onde há mudanças, existe sempre alguma resistência.

É nesta senda que a fonte é categórica ao afirmar que nem todos querem ver o PR a brilhar. Aliás, sublinhou que, mesmo dentro do próprio partido, devido a vários factores e interesses que cada um possa ter ou desejar alcançar, é natural que haja personalidades que se recusem a facilitar ou apoiar a governação do PR para que siga tal como ele pretende.

Assim, no entender da mesma fonte, que também é quadro sénior do partido, para além dos apelos de que “deixem o PR trabalhar”, é necessário que o Chefe de Estado se imponha com toda a bravura necessária e se faça sentir cada vez mais através de decisões e menos de discursos bonitos do dia-a-dia, porque, tal como refere a fonte, o tempo real para demonstrar a sua bravura como estadista é este que vai passando.

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