O Fundo de Promoção Desportiva (FPD) deve quase 30 milhões de meticais à empresa responsável pela reabilitação do Estádio Nacional do Zimpeto, cujas intervenções permitiram que a principal infraestrutura desportiva do País recuperasse a aprovação da Confederação Africana de Futebol (CAF) para acolher jogos internacionais. Mais de um ano depois da entrega das obras, a empreiteira continua sem receber o pagamento acordado e já terá recorrido aos advogados para exigir a liquidação da dívida, acrescida de juros de mora.
Texto: Amad Canda
Dossiers & Factos apurou que o contrato celebrado entre as partes, em 2025, estabelecia que o pagamento seria efectuado imediatamente após a entrega dos trabalhos. Contudo, volvido mais de um ano, a empresa continua sem receber o montante acordado, situação que está a gerar mal-estar entre as partes.
O atraso suscita interrogações sobre as razões que impedem a regularização do compromisso financeiro. Segundo fontes do Dossiers & Factos próximas do processo, existem suspeitas de que o problema não esteja relacionado com a falta de disponibilidade orçamental, mas com a ausência de vontade política para honrar a obrigação.
As obras de reabilitação incluíram a colocação de nova relva, a reposição de tanques de água, a manutenção de geradores e a recuperação dos balneários e sanitários, entre outras intervenções destinadas a assegurar condições adequadas para a realização de partidas de carácter internacional.
Contactada pelo Dossiers & Factos para esclarecer as razões do atraso no pagamento, a directora do Fundo de Promoção Desportiva, Sílvia Langa, mostrou-se indisponível para comentar o assunto “por ser domingo”, tendo sugerido que o jornal remetesse uma carta à instituição.
No entanto, a recomendação suscitou reservas, uma vez que, em ocasiões anteriores, o jornal já havia recorrido a esse procedimento, por indicação da própria entidade, sem obter resposta.
Confrontada com essa experiência e com a necessidade de recolher o contraditório em tempo útil, Sílvia Langa questionou: “Mas será num domingo que vais resolver isso?”, reiterando a indisponibilidade para prestar esclarecimentos naquele momento.
Prémio Jovens Criativos reacende debate sobre prioridades
O atraso no pagamento à empresa responsável pela reabilitação do estádio ganha particular relevância depois de, na semana passada, o Governo ter realizado, na cidade de Tete, a XII edição do Prémio Jovens Criativos, atribuindo prémios monetários a dezenas de jovens de diferentes pontos do País.
A iniciativa terá reacendido o descontentamento de quem aguarda há mais de um ano pelo pagamento dos trabalhos realizados no Zimpeto. Entre as fontes ouvidas pelo Dossiers & Factos, o caso alimenta críticas quanto às prioridades do Ministério da Juventude e Desporto, nomeadamente no que respeita à atenção dedicada ao desporto em comparação com a juventude.
“O Estádio Nacional do Zimpeto é a maior infraestrutura do País e não é bonito que seja secundarizado desta forma”, lamentou uma das fontes.
Relvado volta a suscitar preocupações
Apesar de ter recuperado a aprovação da CAF, o Estádio Nacional do Zimpeto continua a enfrentar desafios relacionados com as condições do seu relvado, cuja degradação ficou evidente nos jogos disputados contra o Senegal e o Sudão, no âmbito da campanha de qualificação para o CAN de 2027.
A situação reacende as preocupações em torno da manutenção da infraestrutura e da necessidade de assegurar que as intervenções realizadas produzam resultados duradouros, evitando novas reprovações nas inspecções do organismo que tutela o futebol africano.
Refira-se que o recinto já foi reprovado em diferentes ocasiões, obrigando os Mambas a disputar jogos internacionais fora do País. Em 2021, a interdição condicionou a campanha de qualificação para o Mundial de 2022, incluindo os confrontos com a Costa do Marfim e os Camarões.
Em 2023, uma nova reprovação afectou os compromissos de qualificação para o CAN de 2025 e o Mundial de 2026, levando Moçambique a receber adversários como a Argélia, a Somália e o Uganda em estádios da África do Sul.
Em Dezembro de 2024, a CAF voltou a interditar o recinto, comprometendo a realização de jogos internacionais previstos para 2025. Em Março de 2025, uma nova inspecção voltou a reprovar o estádio, obrigando os Mambas a disputar fora do País o confronto com o Uganda, referente à qualificação para o Mundial de 2026.




