O Presidente da República, Daniel Chapo, defende o esclarecimento das circunstâncias da morte do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel, ocorrida há 40 anos, na sequência de um acidente aéreo em Mbuzini, na África do Sul.
O chefe do Estado falava durante as cerimónias de homenagem às vítimas da tragédia, que causou 35 mortes, incluindo a de Samora Machel, membros da comitiva presidencial, jornalistas, diplomatas e tripulantes da aeronave.
“Quarenta anos depois, permanecem interrogações sobre as circunstâncias da tragédia de Mbuzini. As investigações e os esclarecimentos produzidos ao longo destas décadas não eliminaram todas as dúvidas”, afirmou o Chefe do Estado.
Na ocasião, defendeu o direito das famílias das vítimas e dos povos moçambicano e sul-africano de conhecerem a verdade sobre os acontecimentos daquela noite.
O estadista sublinhou que a preservação da memória das vítimas exige a continuidade da busca por respostas e reiterou o compromisso do Estado moçambicano com a dignificação de todos os que perderam a vida no acidente.
Chapo destacou ainda o legado de Samora Machel na luta de libertação nacional, na construção do Estado moçambicano e na solidariedade com os povos que combateram o colonialismo e o apartheid, sobretudo na África Austral.
Segundo o Presidente da República, os ideais de Samora Machel continuam a inspirar os esforços de consolidação da paz, da unidade nacional e do diálogo inclusivo, bem como a busca pela independência económica de Moçambique.
Neste contexto, apontou o aumento da produção nacional, a transformação dos recursos disponíveis e a criação de emprego, particularmente para jovens e mulheres, como prioridades para o desenvolvimento do país.
Por sua vez, o ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola, que representou o Presidente Cyril Ramaphosa, enalteceu os laços históricos de amizade e solidariedade entre os dois países e o contributo de Samora Machel para a libertação dos povos africanos.
“A tragédia permanece uma das páginas mais dolorosas da história da nossa luta de libertação na África Austral. Simboliza também os nossos sacrifícios partilhados e os laços que unem os povos da África do Sul e de Moçambique”, afirmou Lamola.
O governante sul-africano recordou o apoio de Samora Machel à luta contra o apartheid e defendeu a preservação dos valores da liberdade e da justiça, assim como o reforço da cooperação bilateral.
No domínio económico, Lamola destacou a importância da integração entre Moçambique e a África do Sul, revelando que mais de 2.500 camiões comerciais atravessam diariamente o Corredor de Maputo, nos dois sentidos.
Acrescentou que cerca de 300 empresas sul-africanas operam em Moçambique, contribuindo para a manutenção de mais de 40 mil postos de trabalho.
Quatro décadas após a tragédia de Mbuzini, Moçambique e África do Sul reafirmam o compromisso de preservar a memória de Samora Machel e das restantes vítimas, bem como de fortalecer os laços históricos de amizade, solidariedade e cooperação entre os dois povos.
O acidente aéreo ocorreu a 19 de Outubro de 1986, quando o avião que transportava Samora Machel, de regresso de uma missão diplomática, se despenhou em território sul-africano, provocando a morte de 35 pessoas. (AIM)




