Um tribunal queniano condenou, na segunda-feira (19), o líder religioso Paul Mackenzie e outras 28 pessoas pelo assassinato de 191 pessoas, incluindo crianças, num caso relacionado com a morte de seguidores de uma seita religiosa na floresta de Shakahola, no sudeste do Quénia.
Mackenzie, líder da Igreja Internacional das Boas Novas, é acusado de comandar um sistema organizado que recorria a ensinamentos religiosos para convencer os seguidores a jejuar até à morte, sob a promessa de que encontrariam Jesus e alcançariam o paraíso.
O caso veio a público em 2023, depois de as autoridades policiais receberem denúncias de activistas, que alertaram para a situação dos seguidores da seita. As investigações culminaram no resgate de sobreviventes e na descoberta de dezenas de sepulturas clandestinas na floresta de Shakahola, levando à detenção do líder religioso.
Desde o início das operações, foram recuperados mais de 400 corpos, muitos dos quais pertencentes a crianças. O avançado estado de decomposição dificultou a identificação das vítimas, tendo sido possível identificar apenas 26 menores, segundo os dados apresentados no relato do caso. As investigações sobre as restantes mortes prosseguem.
A decisão do Tribunal Superior de Mombaça abrange outras 28 pessoas consideradas envolvidas na organização que incentivava os seguidores a morrer de fome como forma de alcançar o paraíso.
Os condenados deverão conhecer as respectivas penas no dia 6 de Novembro do corrente ano. O caso de Shakahola tornou-se um dos mais graves episódios de abuso de crenças religiosas no Quénia, levantando preocupações sobre a fiscalização de organizações religiosas e a protecção de pessoas vulneráveis contra práticas extremistas.




