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“Ordens superiores” inviabilizam exibição de documentário sobre manifestações no Cinema Scala

A exibição do documentário “Não é nosso país este aqui?”, produzido no âmbito das actividades de investigação do Observatório do Meio Rural (OMR), não se realizou esta terça-feira, 20 de Outubro, no Cinema Scala, em Maputo, após o que a organização descreve como uma intervenção de superiores da sala para impedir a projecção da obra.

A sessão estava marcada para as 16h:30 e previa a participação presencial do público, com transmissão simultânea pela internet. Na sequência do sucedido, o OMR anunciou o adiamento da exibição para uma nova data, ainda por indicar.

Segundo avança o Moz24h, a organização explicou, em nota, que o documentário pretende promover um debate informado e construtivo sobre a realidade moçambicana, no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo. A nota pública não detalhou os motivos que levaram ao adiamento.

Entretanto, o investigador do OMR, João Feijó, apresentou uma versão mais detalhada dos acontecimentos, afirmando que a situação começou quando membros da organização se deslocaram ao Cinema Scala para testar o som e colocar cartazes de divulgação da sessão.

Segundo Feijó, citado pelo Moz24, um dos gestores da sala assistiu ao documentário e manifestou preocupação com o seu conteúdo. Posteriormente, uma colaboradora do OMR terá sido informada de que existiam instruções superiores para impedir a exibição da obra.

“Depois de verem o documentário, um dos gestores do Scala ficou apreensivo. Posteriormente, chamou a minha colega à parte. De forma embaraçada, informou que falou com o departamento jurídico e obteve instruções dos superiores para que o documentário não fosse exibido, pois era muito sensível e poderia trazer problemas para o Scala”, relatou o investigador.

De acordo com Feijó, a situação evoluiu para uma discussão sobre a existência de licenças para a produção e exibição do documentário, mas o investigador explicou que a obra tinha uma finalidade educativa, enquadrada nas actividades pedagógicas e de promoção do debate público do OMR, e não constituía uma iniciativa comercial.

Segundo o mesmo relato, já depois das 19h, o Cinema Scala enviou um correio electrónico a solicitar o depósito legal e a licença de projecção da obra, condicionando a realização da sessão à apresentação desses documentos. Na mesma comunicação, a administração terá informado que devolveria o valor recebido pelo arrendamento da sala.

O OMR contactou igualmente a organização Justiça Ambiental, que já utilizou o Cinema Scala para a exibição de um filme produzido por parceiros, com apoio daquela organização. Segundo Feijó, a Justiça Ambiental manifestou surpresa com as exigências, afirmando que não lhe tinham sido solicitados documentos semelhantes nas ocasiões anteriores. (Milton Zunguze)

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