A maternidade do Hospital Provincial de Maputo permanece encerrada desde Julho de 2025, altura em que foi anunciado o início de obras de reabilitação da unidade. Na ocasião, a direcção do hospital informou que os trabalhos teriam uma duração estimada de quatro meses. Contudo, passados cerca de oito meses desde o anúncio da intervenção, o serviço continua sem funcionamento e sem uma data oficial para a sua reabertura.
Texto: Dossier & Factos
A situação torna-se ainda mais preocupante pelo facto de, segundo informações recolhidas no local, as obras que justificaram o encerramento da maternidade ainda não terem sido iniciadas. O facto levanta dúvidas quanto à gestão do processo e à comunicação feita às populações que dependem daquele serviço.
Durante uma visita realizada recentemente ao hospital, a equipa do Dossier & Factos recolheu informações junto de alguns profissionais da instituição. Uma das fontes, que preferiu manter o anonimato, confirmou que a maternidade continua fechada e que, até ao momento, o sector aguarda pelo início das obras de reabilitação, contrariando a expectativa criada em Julho do ano passado de que os trabalhos já estariam em curso.
O prolongamento do encerramento levanta preocupações quanto ao impacto na assistência às mulheres grávidas que recorrem àquela unidade sanitária, considerada uma das principais da província de Maputo para o atendimento materno-infantil.
Percurso difícil para as parturientes
Com o serviço encerrado, várias parturientes têm sido obrigadas a procurar atendimento noutras unidades sanitárias, muitas vezes enfrentando sucessivas deslocações e momentos de grande tensão durante o trabalho de parto.
É o caso de Quitéria Dzengo, recém-mãe que relatou ao Dossier & Factos as dificuldades que enfrentou no momento em que procurava dar à luz.
Segundo contou, inicialmente dirigiu-se ao Hospital Provincial de Maputo, mas ao chegar foi informada de que a maternidade se encontrava encerrada devido às alegadas obras de reabilitação.
“Fui ao Hospital Provincial para dar à luz e, quando cheguei, disseram-me que estava em reabilitação e que deveria dirigir-me a um centro de saúde mais próximo”, explicou.
Contudo, a situação complicou-se quando chegou à unidade indicada.
“Quando cheguei ao centro de saúde, disseramme que teria de ir ao Hospital José Macamo porque precisava fazer uma cesariana e ali não era possível realizar esse tipo de procedimento”, contou.
A sequência de deslocações acabou por tornar o momento ainda mais angustiante. Quitéria diz ter vivido momentos de grande medo durante todo o processo.
“Foi um momento muito difícil. Eu estava com dores e a ser encaminhada de um lugar para outro. Cheguei a temer perder a minha vida ou até a do meu bebé”, relatou.
Casos como este evidenciam os desafios enfrentados pelas mulheres grávidas quando serviços essenciais deixam de funcionar por longos períodos, sobretudo num sistema de saúde onde muitas unidades já enfrentam limitações de recursos e sobrecarga no atendimento.
Silêncio das autoridades
Na tentativa de obter esclarecimentos sobre o atraso no processo de reabilitação e sobre a previsão de reabertura da maternidade, o Dossier & Factos contactou o Serviço Provincial de Saúde.
Diante da falta de respostas, a redacção procurou também o assessor da directora provincial de Saúde. Contudo, até ao momento não foi possível obter uma posição oficial.
“Enviei a mensagem para informar sobre o pedido, mas até agora ela – a directora – não respondeu nem comentou o assunto”, afirmou o assessor contactado pela reportagem.
Enquanto isso, a população continua sem informações claras sobre os motivos do atraso, o início efectivo das obras ou a data prevista para a reabertura da maternidade do Hospital Provincial de Maputo, situação que mantém muitas parturientes numa posição de vulnerabilidade e dependentes de outras unidades sanitárias já sobrecarregadas.



