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Chapodiplomacy e Independência Económica: duas faces de uma mesma estratégia nacional

Por: Elcídio Bachita*

A discussão sobre o futuro económico de Moçambique ganhou uma nova dimensão com a emergência do conceito de “Chapodiplomacy”, expressão que encontrei para descrever a abordagem distinta do Presidente Daniel Francisco Chapo à política externa e às relações internacionais. Esta abordagem assenta, fundamentalmente, na diplomacia económica, na construção de parcerias estratégicas, na celebração de alianças e memorandos com organizações públicas e privadas e na projecção de Moçambique na arena internacional como um país com enormes potencialidades económicas.

A questão que se coloca neste momento é saber qual é a relação entre a Chapodiplomacy e a independência económica de Moçambique. Na minha perspectiva, não são conceitos contraditórios. Pelo contrário, são duas dimensões complementares de uma mesma estratégia: a diplomacia económica constitui um dos instrumentos para alcançar a independência económica.

A independência política conquistada em 1975 constituiu uma das maiores realizações da história de Moçambique. Contudo, cinco décadas depois, permanece o desafio de consolidar uma independência económica capaz de garantir ao País maior capacidade de produzir, transformar, exportar, gerar emprego e criar riqueza para os moçambicanos.

Foi precisamente neste contexto que o Presidente da FRELIMO e da República, Daniel Chapo, na XI Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, que decorreu de 21 a 23 de Agosto de 2026, colocou a independência económica como um dos grandes desafios geracionais de Moçambique.

Importa destacar que, na visão apresentada pelo Chefe do Estado, independência económica não significa isolamento nem rejeição da cooperação internacional ou do investimento estrangeiro. Significa, antes, desenvolver a capacidade nacional de produzir, transformar e exportar, reduzindo progressivamente a dependência de importações e de ajuda externa ao desenvolvimento.

É justamente aqui onde encontramos a essência da Chapodiplomacy.

Um país como Moçambique, com recursos naturais abundantes, localização geoestratégica privilegiada e enormes potencialidades nos sectores da agricultura, energia, mineração, hidrocarbonetos, turismo e indústria, não pode permanecer economicamente marginal no continente africano e no sistema económico internacional. Precisamos de projectar Moçambique para o mundo e, simultaneamente, trazer o mundo para Moçambique.

Esta é a lógica fundamental da diplomacia económica: levar Moçambique ao mundo e trazer o mundo para Moçambique.

A Chapodiplomacy procura exactamente criar essas pontes. Através dela, Moçambique pode apresentar as suas vantagens comparativas, atrair investimento directo estrangeiro, mobilizar recursos financeiros, conquistar novos mercados, estabelecer parcerias tecnológicas e fortalecer relações económicas com países e instituições internacionais.

Contudo, devemos ser claros: atrair investimento estrangeiro não é, por si só, alcançar a independência económica.

O investimento estrangeiro deve ser utilizado como instrumento para construir capacidade nacional. O verdadeiro sucesso da diplomacia económica não deve ser medido apenas pelo volume de capital que entra no País, mas também pelo que esse capital deixa em termos de conhecimento, tecnologia, emprego, infra-estruturas, empresas nacionais e capacidade produtiva.

Esta questão é particularmente importante quando falamos dos recursos naturais.

Moçambique é rico em gás natural, carvão, grafite, areias pesadas, energia e outros recursos estratégicos. Todavia, possuir recursos não significa necessariamente possuir riqueza. A riqueza só se materializa quando conseguimos transformar os recursos em produção, a produção em emprego, o emprego em rendimento e o rendimento em bem-estar para as famílias.

É neste ponto que a independência económica se torna inseparável da industrialização.

Não podemos continuar indefinidamente como exportadores de matérias-primas e importadores de produtos acabados. Precisamos de criar condições para transformar internamente uma parte crescente dos nossos recursos. O gás deve contribuir para a industrialização; os minerais devem estimular cadeias de processamento; a agricultura deve alimentar a indústria; a energia deve reduzir os custos de produção; e o turismo deve criar emprego e oportunidades para as empresas nacionais e para os moçambicanos.

A diplomacia económica deve, por conseguinte, negociar investimentos que contribuam para esse processo.

Devemos procurar investidores que tragam capital, mas também tecnologia. Devemos procurar parceiros que abram mercados, mas também desenvolvam fornecedores nacionais. Devemos procurar financiamento, mas garantir que os projectos financiados criem capacidade produtiva sustentável.

É neste contexto que o conteúdo local assume importância estratégica.

As grandes empresas internacionais podem desempenhar um papel determinante no desenvolvimento de Moçambique. No entanto, a sua presença deve criar oportunidades para as pequenas e médias empresas moçambicanas. Os grandes projectos devem gerar uma rede de fornecedores nacionais, estimular o empreendedorismo, desenvolver competências e permitir que empresas moçambicanas evoluam de simples prestadoras de serviços para participantes competitivos nas cadeias regionais e globais de valor.

A independência económica também passa pelo conhecimento.

Não podemos pretender controlar economicamente os nossos recursos se continuarmos dependentes de conhecimento e tecnologia estrangeiros para os explorar. Por isso, a transferência de tecnologia e a formação de quadros nacionais devem constituir componentes essenciais das parcerias económicas internacionais.

Precisamos de engenheiros, economistas, gestores, técnicos, cientistas, investigadores e empreendedores capazes de dominar as tecnologias e os processos produtivos que sustentam a economia moderna.

A diplomacia pode abrir a porta, mas é o capital humano que permite atravessá-la.

*Elcidio Bachita é um economista e professor universitário moçambicano, Licenciado em Economia pela Universidade de Pune na Índia e Mestre em Administração de Empresas (MBA) pela Universidade de Suffolk no Reino Unido

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