– A isso junta-se a falta de assistência técnica
A falta de sementes de qualidade e de assistência técnica está a comprometer a produção agrícola na Baixa de Furvela, distrito de Morrumbene, província de Inhambane, onde dezenas de agricultores enfrentam dificuldades para garantir boas colheitas e contribuir para o abastecimento alimentar da região.
Texto: Anastácio Chirrute
Os produtores afirmam que, em alguns casos, adquirem sementes em estabelecimentos comerciais da cidade de Maxixe, mas descobrem, já no momento da sementeira, que os produtos estão fora do prazo ou não apresentam capacidade de germinação. Quando procuram reclamar, dizem não conseguir a devolução do dinheiro nem a troca dos insumos.
Gilberto Marame, agricultor que trabalha na Baixa de Furvela há mais de 20 anos, conta que já perdeu dinheiro com sementes que não germinaram. Segundo explica, os agricultores são obrigados a suportar os prejuízos, mesmo depois de apresentarem as suas reclamações junto dos fornecedores.
“Compramos insumos agrícolas em Maxixe, mas quando chegamos aqui para semear não germinam. Quando voltamos para reclamar na loja, não aceitam devolução nem troca. Isso nos deixa lesados”, lamenta.
A situação agrava-se com a falta de acompanhamento técnico. Embora alguns agricultores tenham recebido insumos agrícolas do Governo, continuam sem apoio especializado para identificar e combater pragas que afectam as culturas. Os produtores receiam que esta limitação reduza a produtividade e comprometa o sustento de várias famílias.
Na Baixa de Furvela são cultivados, entre outros produtos, repolho, tomate, cebola, couve e beterraba. Contudo, os agricultores dizem que o esforço de produção é condicionado não apenas pela qualidade dos insumos, mas também pela falta de meios de trabalho e de condições para responder aos problemas que surgem no campo.
A ausência de equipamentos como tractores, botas, luvas e charruas constitui outra dificuldade. Luciano Nhavotso afirma que, com apoio em meios de produção, poderia aumentar significativamente a área cultivada e produzir em maiores quantidades para abastecer Morrumbene e outros distritos vizinhos.
“Se eu tivesse apoio em equipamento de trabalho, como é o caso de tractor para a lavoura, sairia de dois para 10 hectares e estaria a produzir comida suficiente para abastecer o distrito e outros distritos vizinhos”, explica.
Apesar destas limitações, os agricultores continuam a produzir alimentos para o mercado local. No entanto, a falta de mercado e os preços considerados baixos pelos produtores reduzem o retorno dos investimentos. Rosália Massingue, por exemplo, diz que parte da sua produção de repolho acaba por se deteriorar, enquanto os compradores que se deslocam à Baixa de Furvela procuram adquirir os produtos a preços inferiores aos praticados na cidade de Maxixe.
Os agricultores defendem, por isso, maior controlo sobre a qualidade das sementes comercializadas, mecanismos eficazes de defesa do consumidor e reforço da assistência técnica. Consideram que estas medidas são essenciais para evitar prejuízos, melhorar a produtividade e garantir que a actividade agrícola contribua efectivamente para a segurança alimentar no distrito de Morrumbene.




