O presidente da Comunidade de Santo Egídio em Moçambique, Nelson Moda, defende que o País deve recuperar a sua experiência de reconciliação e diálogo para travar a escalada de violência política, alertando que as divergências partidárias não podem transformar adversários em inimigos.
Segundo o jornal O País, Moda fez o pronunciamento ontem, na Beira, à margem da cerimónia em que recebeu a Ordem da Estrela de Itália, uma condecoração honorífica atribuída a cidadãos estrangeiros pelo seu contributo para o reforço da amizade, cooperação e relações culturais entre Itália e outros países.
A distinção foi entregue pelo embaixador de Itália em Moçambique, que destacou o compromisso dos dois países com a promoção da paz.
Perante os recentes assassinatos de figuras políticas, Nelson Moda apelou à recuperação da memória histórica do País, considerando que as experiências do passado devem servir de referência para evitar a repetição de conflitos.
“Precisamos sempre de recorrer à nossa história. Como é que a guerra civil, o conflito político-militar, começou em Moçambique? Foi através das incompreensões. Não esqueçamos a nossa história, porque esquecer a nossa história faz-nos repetir, no presente”, afirmou, citado pelo O País.
O dirigente defendeu, igualmente, a convivência entre diferentes sensibilidades políticas, rejeitando qualquer forma de intimidação ou violência contra cidadãos em razão das suas opções partidárias.
“Ninguém deve ter medo por pertencer a um partido histórico como a Frelimo. Ninguém deve ter medo por pertencer a um partido novo como a ANAMOLA. Ninguém deve ter medo por pertencer à Renamo, com a sua história. Todos nós temos opções políticas e é de lei”, afirmou.
Para Moda, a disputa política não pode ser transformada numa luta pela eliminação do adversário, uma vez que “nenhum partido político vai engrandecer eliminando membros de outro partido político”.
O presidente da Comunidade de Santo Egídio advertiu ainda que a violência, uma vez desencadeada, tende a escapar ao controlo de quem a inicia, defendendo o diálogo como mecanismo para resolver as divergências políticas e sociais.
“Não se pode experimentar a violência, porque a violência é como um fogo que arde. A pessoa que inicia a violência pode ter a capacidade de iniciar, mas gradualmente perde a capacidade de controlar. Cada incompreensão que existir em Moçambique deve voltar sempre pelo diálogo”, sustentou.
Na sua perspectiva, optar pelo diálogo não representa fraqueza, mas o reconhecimento de que a violência armada não constitui caminho para uma paz duradoura.
“Quem dialoga reconhece que a força das armas nunca leva à paz. Não existe paz alguma que já se conseguiu por via das armas”, declarou.
A intervenção ocorreu no contexto da homenagem a Nelson Moda pela Itália, distinção que, segundo o próprio, reforça o compromisso da Comunidade de Santo Egídio com a promoção da paz e da reconciliação em Moçambique.




