O Governo estima que cerca de 5,3 milhões de pessoas possam ser afectadas pelos impactos do fenómeno El Niño durante a época chuvosa e ciclónica 2026/2027, num contexto em que 76 distritos do País foram identificados como estando em situação de risco, dos quais 52 considerados críticos.
Os dados foram apresentados esta sexta-feira (30), na província de Maputo, pelo secretário permanente do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Hélio Manuel Banze, durante uma capacitação de jornalistas sobre a gestão dos recursos hídricos e a comunicação do risco climático.
Segundo Banze, os números evidenciam a dimensão dos desafios que o País poderá enfrentar e a necessidade de transformar as previsões climáticas em medidas concretas de preparação e resposta, com vista a reduzir os impactos sobre as comunidades.
Entre as medidas previstas pelo sector das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos para mitigar os efeitos do fenómeno estão a construção e reabilitação de pequenas represas e reservatórios escavados, bem como a instalação de furos multiusos equipados com sistemas de rega, com o objectivo de reforçar a segurança hídrica das comunidades mais vulneráveis.
O governante alertou que a resposta ao El Niño não depende apenas da construção de infra-estruturas, mas também da capacidade de fazer chegar informação clara, rigorosa e atempada às populações potencialmente afectadas, permitindo-lhes adoptar medidas preventivas para proteger as famílias, os bens e os meios de subsistência.
As previsões sazonais para o período de Outubro a Dezembro de 2026 e de Janeiro a Março de 2027 apontam para diferenças regionais na distribuição da precipitação, com sinais de défice de chuva e temperaturas acima do normal em algumas zonas do Centro e Sul do País, enquanto o Norte apresenta uma perspectiva distinta.
De acordo com Banze, estes cenários exigem uma abordagem diferenciada na preparação e gestão dos recursos hídricos, tendo em conta as características de cada região e os possíveis efeitos sobre o abastecimento de água, a agricultura, a pecuária e a segurança alimentar.
O responsável sublinhou ainda a importância de distinguir previsões de ocorrências confirmadas, defendendo que a divulgação de informações sobre riscos climáticos deve basear-se em fontes oficiais e respeitar o carácter probabilístico dos cenários apresentados.
A capacitação de jornalistas é promovida pelo Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, através da Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, no âmbito do programa Blue Deal, e reúne profissionais dos órgãos de comunicação social, especialistas e representantes de instituições ligadas à gestão da água, à informação meteorológica e à prevenção de desastres naturais.




