O Presidente da República, Daniel Chapo, defende que Moçambique deve investir na educação, saúde, formação profissional e criação de emprego para transformar o crescimento populacional numa oportunidade de desenvolvimento económico e melhoria das condições de vida dos cidadãos. O Chefe do Estado falava esta quarta-feira (04), em Maputo, na abertura da Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique, que decorre sob o lema “População, Transformação Económica e Bem-Estar: Políticas para Aproveitar o Dividendo Demográfico em Moçambique”.
Na ocasião, Chapo destacou que Moçambique conta actualmente com cerca de 35 milhões de habitantes, contra aproximadamente 10 milhões em 1975, ano da Independência Nacional, e 18 milhões em 2000. Segundo o Presidente, as projecções indicam que a população poderá atingir 60 milhões de pessoas até 2050, cenário que exige uma resposta efectiva do Estado para garantir que o crescimento demográfico seja acompanhado pela expansão da economia e dos serviços públicos.
O estadista alertou que uma população jovem, por si só, não garante desenvolvimento, defendendo que o aproveitamento do dividendo demográfico depende de políticas públicas adequadas e de investimentos que permitam transformar o potencial humano em capacidade produtiva. Chapo considera que a ausência de oportunidades para crianças, adolescentes e jovens pode transformar uma oportunidade histórica num problema social e económico, sobretudo num contexto em que mais de 500 mil jovens procuram anualmente integrar-se no mercado de trabalho.
Para responder a este desafio, o Presidente apontou a necessidade de dinamizar sectores como a agricultura, turismo, energia, transporte, logística e transformação digital, bem como ampliar os mecanismos de financiamento à economia. Entre os instrumentos destacados estão o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), o PROMULHER, o Fundo de Garantia Mutuária, o Conecta Negócios, o Jobs Now e o PROJOVEM. Chapo revelou que, em 2025, o FDEL financiou mais de 18 mil projectos, com a criação reportada de mais de 43 mil postos de trabalho.
O Presidente da República destacou igualmente a importância de investir na educação da rapariga e combater as uniões prematuras e gravidezes precoces, apontando como meta a redução da prevalência das uniões prematuras dos actuais 41% para 27% até 2044. Na mesma intervenção, defendeu que o crescimento económico deve traduzir-se em bem-estar, segurança alimentar, acesso à saúde, educação, água potável, energia e protecção social, com particular atenção às famílias mais vulneráveis.
Chapo apelou, por fim, a uma responsabilidade colectiva do Governo, instituições públicas e privadas, academia, sociedade civil e famílias na construção de políticas que respondam às transformações demográficas do país. O Chefe do Estado espera que a conferência produza recomendações concretas para a revisão da Política Nacional da População, aprovada em 1999, e para a implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento, de modo a transformar o dividendo demográfico numa realidade de prosperidade e dignidade para os moçambicanos.




