A Hollard Moçambique Seguros anunciou nesta segunda-feira, 01 de Abril, na cidade de Maputo, a conclusão do processo de aquisição da Global Alliance Seguros. Em conferência de imprensa, Henri Mittermayer, CEO da Hollard Moçambique, detalhou o processo, salientando que esta aquisição representa um passo crucial na expansão da presença da Hollard no país.
Texto: Dossier Económico
“Este é um passo crucial para expandirmos a nossa presença e oferecermos um serviço cada vez melhor aos nossos clientes”, congratulou-se Mittermayer, garantindo que “estamos comprometidos com a excelência e a inovação” e que a fusão permitirá fortalecer ainda mais o sector segurador em Moçambique.
Antes da aquisição, a Hollard já liderava o mercado segurador, com uma participação de 21%. Com a integração da Global Alliance Seguros, a companhia estima que a sua participação suba para entre 30% a 35%, consolidando-se como uma das principais seguradoras do país. Mittermayer também enfatizou que o valor envolvido na negociação não será revelado, mas ressaltou o compromisso da Hollard com o mercado moçambicano.
“Não se trata apenas de uma fusão, esta aquisição é total. A partir de hoje, a Global Alliance será totalmente englobada na Hollard. Teremos um período de 18 meses para garantir uma transição estruturada e eficiente, uma vez que há aprovações regulamentares que precisam de ser feitas. Esta mudança traz oportunidades para a expansão da nossa presença no mercado nacional, criação de novas soluções para os nossos clientes e tornar as nossas operações mais eficientes”, explicou Henri Mittermayer.
Por sua vez, o director-geral da Hollard, Israel Muchena, detalhou a estratégia de expansão da empresa, que não se limita apenas a Moçambique, mas inclui também investimentos na Zâmbia e no Botswana. A seguradora pretende fortalecer a sua actuação em sectores estratégicos, como energia, infra-estruturas, mineração e, especialmente, na agricultura, onde já assegura 30 mil agricultores. Muchena destacou que o mercado de fundos de pensões, que actualmente atende a menos de 1% da população moçambicana, é uma área com grande potencial de crescimento.
“Actualmente, seguramos 30 mil agricultores em Moçambique, mas sabemos que há muito mais a fazer. Queremos expandir significativamente esta cobertura, garantindo protecção a mais produtores rurais”, destacou Muchena.
Além disso, Muchena frisou que a empresa também aposta na digitalização, com investimentos em novas plataformas para melhorar o atendimento e a comunicação com os clientes. “O nosso desafio é desenvolver produtos que atendam melhor às necessidades da população e das pequenas e médias empresas”.
Já o director de Recursos Humanos da Hollard, Imran Esmael, explicou que o processo de fusão pode resultar em despedimentos. “A saída de pessoas nestas transacções é inevitável”, declarou, assegurando que a empresa está a tomar todas as medidas para minimizar os impactos sobre os funcionários.
A Hollard foi fundada na África do Sul, em 1980, pela família Robert Enthoven, que continua a ser accionista maioritária através da sua empresa de investimento Yellowwoods. Começou a operar em Moçambique em 2001, oferecendo seguros corporativos, comerciais e pessoais, e neste momento conta com mais de 30 mil agricultores assegurados.
Operação limpa
Refira-se que a Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) de Moçambique já havia aprovado a transacção em Outubro de 2024, concluindo que a fusão não representaria obstáculos significativos à concorrência no mercado.