Os transportadores semi-colectivos de passageiros, vulgo “chapeiros”, na província de Gaza, paralisaram totalmente as suas actividades, na manhã desta quarta-feira (26 de Maio), a partir da cidade de Xai-Xai, em direcção a Maputo, em protesto contra a alegada extorsão por parte da polícia. É o sexto dia de greve e, de “chapa”, ninguém entra, ninguém sai.
Texto: Maidone Alberto, Gaza
“A actividade do chapeiro deixou de ser sustentável”, conta ao Dossiers & Factos um transportador em protesto. “Todos os dias somos cobrados dinheiro pela polícia de trânsito.”
Outro colega acrescenta: “Não queremos o trânsito na ‘pontinha’, queremos trabalhar em paz.”
Os manifestantes denunciam a alegada cobrança ilícita de 200 meticais pela polícia de trânsito, um valor que subiu recentemente. “Antes, calávamos a boca do polícia de trânsito com 100”, disse um deles, referindo-se à prática, independentemente de estarem legal ou ilegalmente habilitados para o transporte de passageiros.
Além disso, manifestam indignação contra a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) pelo baleamento de um colega durante os protestos do último sábado (21 de Março). “Baliu-se um colega por causa daquele posto, então vamos ficar aqui, porque é nosso colega. Não vamos trabalhar, vamos ficar aqui”, insistiu um chapeiro, secundado por outro: “A polícia parece que não ajuda. A tendência deles é levar dinheiro.”
Os transportadores afirmam estar cansados de discutir com os patrões por não conseguirem entregar a receita completa.
A vovó Celestina Manhique, que se encontrava de visita à família na cidade de Xai-Xai, vinda da vila municipal da Macia, contabilizou três dias de tentativas frustradas para regressar a casa. “Todos os dias acordo às oito horas, mas não consigo regressar”, lamentou, sentada no chão e visivelmente desesperada.
Já Isabel Manhique, utente dos “chapas”, apelou a quem de direito para resolver a greve. “Estamos a pedir uma solução. Há dias que não vamos ao serviço, estamos estagnados e nada anda. Há pessoas doentes que precisam de ir ao hospital. Isto está mal. Para quem tem saúde, ainda se aguenta, mas e quem precisa de cuidados médicos?”
A Astro-Gaza não confirma as alegadas cobranças ilícitas por parte da polícia de trânsito e afirma que a paralisação dos transportes apanhou a instituição de surpresa, confirmando que a entrada e saída da cidade de Xai-Xai estão condicionadas.
Face à situação, decorre hoje um encontro com as autoridades policiais para tentar pôr fim à greve. Entretanto, as autoridades apelam aos transportadores para retomarem as actividades e, assim, aliviarem o sofrimento da população, que tem sido forçada a percorrer longas distâncias para chegar aos seus destinos.