EnglishPortuguese

Co-fundador do MDM: “MDM é vítima da inoperância dos órgãos internos”

Sande Carmona, co-fundador do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), atribui a crise que abala o partido à inoperância dos seus órgãos internos e, de forma mais contundente, aos erros da sua liderança. Num diagnóstico cru da situação, Carmona aponta o dedo ao presidente Lutero Simango, afirmando que ele “falhou na escolha das pessoas” que deviam assessorá-lo e que “caiu na armadilha que a sua própria equipa de trabalho montou”. Questionado sobre o futuro, o histórico membro foi categórico: “Não aconselharia Lutero Simango a recandidatar-se”, afirmou, defendendo que o líder deve antes tornar-se uma “biblioteca viva” para consulta. Estas declarações surgem no rescaldo do resultado das eleições de 2024, que relegaram o “Galo” para a quarta posição no Parlamento, apesar de ter mais deputado que na anterior legislatura.

Texto: Anastácio Chirrute

Em conversa com Dossiers & Factos, o antigo deputado pelo círculo eleitoral de Sofala foi peremptório no diagnóstico do “Galo”. “Os órgãos não estão a funcionar como deviam, há falta de comunicação, os órgãos não estão a cumprir com suas obrigações estatutárias”, disse, acrescentando que, apesar destes desafios, “o MDM continua intacto”.

Sobre a gestão de Lutero Simango, Carmona escusou-se a fazer grandes comentários, recordando que não apoiou a sua candidatura. “Não estive na lista do presidente Lutero Simango, estive na lista do José Domingos”, explicou, acrescentando que não se considera a pessoa adequada para avaliar o seu desempenho, já que não foi quem o escolheu para dirigir o partido.

Questionado se a escolha de Lutero Simango teria sido um erro dos membros, Carmona limitou-se a dizer: “Aos que votaram na lista do Lutero Simango não sei se estão arrependidos ou não”. Reafirmou ter apostado em José Domingos por este ter sido “o número 2 depois do presidente” e por ser “uma pessoa de alta confiança do Daviz Simango”, o fundador e primeiro líder daquela formação política.

Ainda assim, Carmona fez uma concessão para referir que “Lutero Simango caiu na armadilha que a sua própria equipa de trabalho montou para si”, faltando-lhe também “uma boa assessoria”. Carmona acredita que “o próprio presidente tenha falhado na escolha das pessoas que deviam ajudá-lo a trabalhar”.

Sobre uma eventual recandidatura, foi categórico: “Não aconselharia Lutero Simango a recandidatarse”. De seguida, justificou-se, afirmando que, sendo o Lutero Simango “uma biblioteca viva” para o MDM e para o País, “deve servir de ambiente de consulta”.

O antigo porta-voz do “GALO” reflectiu ainda sobre o processo de tomada de decisão no partido, notando que “as mudanças na liderança deveriam ser precedidas de um amplo debate interno”. Na sua perspectiva, a ausência deste debate contribuiu para as actuais divisões, criando um ambiente onde “as decisões são tomadas sem o necessário consenso”.

Questionado sobre o caminho a seguir, o cofundador do MDM enfatizou que “o partido deve reconciliar-se com a sua base militante”, pois sem este reencontro dificilmente poderá aspirar a melhores resultados futuros. “As soluções terão de vir de dentro, daqueles que verdadeiramente conhecem e vivem os problemas do partido”, concluiu. 

Quanto aos resultados eleitorais de 2024, classificados por muitos como negativos, Sande Carmona desdramatiza. “Não acho que seja uma derrota, mas sim uma experiência”, afirmou, sublinhando que “o xadrez político não é o mesmo dos anos passados”. Na perspectiva deste membro sénior do MDM, este resultado serve como “aviso de que os partidos políticos devem empenhar-se cada vez mais no relacionamento com o eleitorado”.

Apesar do quarto lugar, que corresponde a queda de um degrau, o entrevistado destacou que o partido “tinha seis deputados e passou para oito”, demonstrando que aumentou a representação parlamentar. No entanto, alertou que “o MDM e os outros partidos derrotados não podem nem devem normalizar a derrota”, sendo necessário “mudar a forma de fazer política”.

“Já não estamos em 1994 ou 1999, estamos em 2025”, lembrou Carmona, enfatizando que “as coisas evoluíram muito”. O MDM, afirmou, “não queria ganhar apenas 8 deputados, não queria ficar apenas com o Município da Beira”, mas ambiciona “ter muitos municípios, muitos deputados e liderar o País”.

Gostou? Partihe!

Facebook
Twitter
Linkdin
Pinterest
Search

Sobre nós

O Jornal Dossiers & Factos é um semanário que aborda, com rigor e responsabilidade, temáticas ligadas à Política, Economia, Sociedade, Desporto, Cultura, entre outras. Com 10 anos de existência, Dossiers & Factos conquistou o seu lugar no topo das melhores publicações do país, o que é atestado pela sua crescente legião de leitores.

Notícias Recentes

Edital

Siga-nos

Fale Connosco