Num contexto em que as iniciativas culturais continuam a enfrentar dificuldades de financiamento e pouco apoio institucional, a Petromoc decidiu apostar na promoção da leitura, apoiando as actividades da BSP Projectos Sociais, organização que há mais de uma década trabalha para aumentar o acesso ao livro em Moçambique.
O apoio foi destacado durante a “Feira do Livro Usado e Sustentabilidade Ambiental”, realizada na cidade de Maputo, evento que reuniu representantes da Petromoc, UNESCO, Petrogás, Conselho Municipal de Maputo, expositores literários e estudantes de vários estabelecimentos de ensino.
O fundador da BSP Projectos Sociais, Benedito Posse, considera que o gesto da Petromoc representa mais do que um simples patrocínio financeiro, traduzindo reconhecimento da leitura como instrumento de transformação social.
“A empresa viu o projecto, acreditou e decidiu apoiar”, afirmou.
Criada em 2014, a BSP nasceu com o objectivo de incentivar hábitos de leitura entre os jovens moçambicanos. Com o tempo, a iniciativa expandiu-se para feiras literárias, edição de livros, bibliotecas comunitárias e, mais recentemente, uma livraria de segunda mão destinada a tornar os livros mais acessíveis.
Segundo Benedito Posse, um dos maiores desafios enfrentados pelas iniciativas culturais continua a ser a falta de sensibilidade de muitas empresas em relação à promoção da leitura.
“As empresas têm programas de responsabilidade social, mas raramente incluem o livro e a leitura entre as prioridades”, lamentou.
Além da Petromoc, a Petrogás também passou a apoiar algumas actividades da organização. Posse destaca que o apoio recebido não se resume ao financiamento, mas inclui compreensão institucional e abertura para acompanhar o crescimento do projecto.
Ao longo dos últimos anos, a BSP percebeu que o principal obstáculo à leitura não era apenas a falta de interesse dos jovens, mas sobretudo o difícil acesso aos livros, devido aos preços elevados.
Foi dessa constatação que surgiu o Clube do Livro e, agora, a livraria de segunda mão, iniciativas que procuram reduzir os custos e aproximar mais leitores do universo literário.
“Queremos aumentar a disponibilidade de livros e criar condições para que mais pessoas possam ler”, explicou.
A organização pretende alcançar um milhão de leitores nos próximos dez anos e expandir as suas actividades para outras regiões do País, incluindo as cidades da Beira e Nampula.
Entre os próximos projectos está ainda a realização de uma olimpíada literária nacional, destinada a incentivar a escrita criativa entre estudantes moçambicanos.
O vereador de Educação, Cultura e Desporto do Conselho Municipal de Maputo, Osvaldo Faqui, considerou que a leitura continua a ser uma ferramenta essencial para a formação de cidadãos conscientes.
“Não há arma melhor do que ler”, declarou, apelando à participação da sociedade nas iniciativas de promoção do livro e da leitura




