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PMI de Maio revela economia à beira da estagnação

A economia moçambicana voltou a dar sinais de enfraquecimento em Maio de 2026, com o sector privado a registar uma nova contracção da actividade económica, pressionado pela escassez de combustível, pela fragilidade da procura interna e pelo agravamento do pessimismo empresarial. O Índice de Gestores de Compras (PMI, na sigla inglesa), divulgado pelo Standard Bank, fixou-se em 49,9 pontos, ligeiramente acima dos 49,8 registados em Abril, mas ainda abaixo da fasquia dos 50 pontos que separa a expansão da contracção da actividade económica.

Texto: Milton Zunguze

Embora o indicador tenha registado uma melhoria marginal, os dados apontam para uma economia próxima da estagnação. A produção, as novas encomendas e a actividade de aquisição continuaram a recuar confirmando o segundo mês consecutivo de contracção do sector privado num contexto marcado por choques simultâneos do lado da oferta e da procura.

O inquérito, que acompanha a evolução de cerca de 400 empresas, revela igualmente um forte deteriorar da confiança empresarial. As expectativas para os próximos 12 meses caíram para o nível mais baixo desde Novembro de 2016, reflectindo um ambiente de incerteza e pessimismo generalizado.

Apenas 24% das empresas inquiridas acreditam que a produção irá crescer no próximo ano, um valor muito inferior à média histórica de 51%. A maioria prevê estagnação, evidenciando a ausência de sinais claros de recuperação no curto prazo e uma percepção crescente dos riscos económicos.

Combustível continua a ser o principal obstáculo

A escassez de combustível mantém-se como o principal factor apontado pelas empresas para explicar a desaceleração da actividade económica. Segundo o relatório, as dificuldades de abastecimento afectaram directamente a logística, o transporte de mercadorias e o funcionamento das cadeias de fornecimento.

O constrangimento reduziu a capacidade operacional das empresas e limitou o poder de compra dos consumidores, contribuindo para uma retracção generalizada da actividade económica. Os inquiridos reportaram ainda atrasos persistentes por parte dos fornecedores e interrupções nos fluxos de distribuição, factores que elevaram os custos operacionais e dificultaram o planeamento das actividades.

Em muitos casos, a escassez obrigou as empresas a reduzir deliberadamente as suas compras, sobretudo de combustível e de outros insumos considerados essenciais para a produção.

Procura fraca arrasta produção

A procura interna continuou débil durante o mês de Maio, as novas encomendas recuaram pelo segundo mês consecutivo, ainda que a um ritmo moderado, reflectindo a redução dos gastos por parte dos consumidores e das empresas clientes num ambiente de elevada incerteza económica.

Esta quebra da procura teve impacto directo na produção, que voltou a contrair depois de um período de relativa estabilidade. Trata-se da primeira vez, em quase um ano e meio, que a actividade produtiva regista dois meses consecutivos de queda, sinalizando uma inversão da tendência de recuperação observada anteriormente.

Os sectores dos serviços, da agricultura e do comércio foram os mais afectados pela desaceleração. Em contrapartida, a construção e a indústria transformadora conseguiram expandir a produção, beneficiando de encomendas específicas e de ajustamentos operacionais.

Emprego resiste à desaceleração

Apesar da fragilidade económica, o mercado de trabalho no sector privado continuou a apresentar sinais positivos. Maio assinalou o 12.º mês consecutivo de criação de emprego, embora a um ritmo mais moderado do que o registado nos meses anteriores.

Segundo o relatório, algumas empresas reduziram o número de trabalhadores devido à quebra das vendas, enquanto outras mantiveram processos de contratação para responder a projectos em curso. Simultaneamente, verificou-se uma ligeira acumulação de encomendas em atraso, a primeira desde Outubro do ano passado, resultado das perturbações logísticas e dos atrasos nos pagamentos dos clientes.

Custos sob controlo, mas combustíveis continuam a pressionar

No capítulo dos preços, as pressões inflacionistas mantiveramse relativamente moderadas. Os custos globais dos factores de produção aumentaram apenas ligeiramente, favorecidos pela fraca procura e pelas limitações das cadeias de abastecimento.

Ainda assim, os preços de aquisição aceleraram pelo terceiro mês consecutivo, impulsionados sobretudo pelo encarecimento dos combustíveis. Apesar disso, o ritmo de crescimento continua abaixo das médias históricas.

Por outro lado, a inflação dos preços de venda abrandou para o nível mais baixo dos últimos dez meses, evidenciando as dificuldades das empresas em repercutir os custos adicionais nos consumidores, devido à debilidade da procura.

Standard Bank alerta para aumento dos riscos económicos

O economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, considera que os resultados do PMI continuam a reflectir constrangimentos estruturais importantes, entre os quais a escassez de combustível, as pressões cambiais e o endurecimento das condições monetárias.

Segundo o economista, a recente subida dos preços dos combustíveis, impulsionada pelas tensões internacionais, deverá exercer pressão adicional sobre a inflação, que em Abril se situava em 4,4% em termos homólogos.

Mussá recorda ainda que a política monetária se tornou mais restritiva, com o aumento do coeficiente de reservas obrigatórias para 39% e a manutenção da taxa MIMO em 9,25%, cenário que poderá abrir espaço para novas subidas da taxa de juro de referência.

“É provável que se assistam a aumentos da taxa MIMO durante o segundo semestre, à medida que aumenta o risco de uma inflação de dois dígitos no curto prazo”, alerta o relatório.

Os resultados do PMI de Maio traçam, assim, um retrato preocupante da economia moçambicana, marcada por limitações no abastecimento de combustível, enfraquecimento da procura e crescente falta de confiança dos empresários, factores que ameaçam prolongar o actual período de desaceleração económica.

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