O preço do peixe fresco registou uma subida acentuada nos mercados informais e mercados alimentares da cidade de Maputo, numa situação que vendedores e pescadores associam ao aumento dos preços dos combustíveis, dos custos de transporte e das despesas inerentes à actividade pesqueira. O fenómeno está a afectar centenas de comerciantes e famílias que dependem da pesca e da comercialização de pescado para garantir o seu sustento.
Texto: Clara Mulima e Redação
No Bairro dos Pescadores, na Costa do Sol, vendedores relatam estar a atravessar uma das fases mais difíceis dos últimos anos, marcada por sucessivas oscilações de preços, redução da oferta de pescado e diminuição do número de clientes. Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que o peixe fresco esteve entre os produtos que mais contribuíram para o aumento dos preços ao consumidor, registando subidas de até 11,7% e 5,7% em diferentes categorias. Os operadores do sector consideram que os elevados custos dos combustíveis e das operações de pesca estão na origem desta tendência.
Matilde, vendedora de peixe há mais de quatro décadas, afirma que os preços variam diariamente em função dos custos suportados pelos pescadores.
“O preço do peixe oscila muito. Hoje, por exemplo, uma caixa de magumba custa cerca de 1.500 meticais, quando antes não ultrapassava os 800 meticais. Os pescadores não estão a ter vantagem nenhuma porque o combustível está muito caro. Há barcos que gastam entre seis mil e oito mil meticais apenas para sair ao mar. Se nesse dia a captura for reduzida, acabam por ter prejuízos e são obrigados a aumentar os preços. Nós, como revendedores, também não temos alternativa”, explicou.
Segundo a comerciante, para além do aumento dos preços, a obtenção de combustível tornou-se um desafio adicional para os pescadores.
“Há barcos que actualmente gastam entre seis mil e oito mil meticais em combustível, quando antes gastavam entre dois mil e quatro mil. Mesmo assim, regressam muitas vezes apenas com três ou quatro caixas de peixe. Isso não compensa. O pior é que várias bombas localizadas na Avenida Marginal não aceitam vender combustível em galões. Os pescadores têm de deslocar-se até Marracuene para abastecer. O combustível está caro e ainda é difícil de encontrar”, lamentou.
Outra vendedora, Marta Chilaule, considera que o aumento do preço dos combustíveis teve impacto directo em toda a cadeia de comercialização do pescado.
“Para nós, revendedores, sempre que sobe o combustível sobe também o preço do peixe. Trabalho aqui há muitos anos, mas o que está a acontecer este ano é muito grave. Há pescadores que conseguem combustível e outros não. Isso reduz a actividade de pesca e diminui a quantidade de peixe disponível no mercado”, explicou.
Segundo a comerciante, a redução da oferta está igualmente a afectar o volume de vendas. “O peixe está caro, os transportes também ficaram mais caros e isso reduz os nossos lucros.
Os clientes diminuíram muito. Muitos aproximamse das bancas, perguntam o preço e acabam por desistir da compra. Quem vem a este mercado procura produtos mais acessíveis, mas actualmente é difícil encontrar peixe barato”, afirmou. Os pescadores confirmam as dificuldades e dizem que o acesso ao combustível se tornou um dos maiores obstáculos ao exercício da actividade.
“Para conseguirmos combustível temos de ir a Marracuene porque as bombas daqui não permitem o abastecimento em recipientes. Entramos no mar por volta das três da manhã e regressamos entre as quatro e cinco horas da tarde. Quando há peixe, quem chega cedo consegue comprar a preços mais baixos, mas depois os revendedores aumentam porque também enfrentam muitos custos”, explicou um pescador.
De acordo com os profissionais do sector, a escassez de combustível faz com que apenas uma parte dos pescadores consiga trabalhar diariamente.
“Aqui trabalhamos por escala. Uns conseguem combustível hoje, outros apenas no dia seguinte. Isso significa que nem todos conseguem sair para o mar ao mesmo tempo, reduzindo a quantidade de peixe disponível”, referiu.
Os pescadores afirmam ainda que já apresentaram reclamações às entidades representativas do sector, sem que tenham recebido respostas concretas.
“Já nos reunimos para reclamar da situação porque queremos preços mais estáveis e melhores condições de trabalho. Levámos as nossas preocupações à associação dos pescadores, mas até agora não tivemos qualquer resposta. Este é o nosso sustento e é daqui que alimentamos as nossas famílias”, disse um dos entrevistados.
Os operadores consideram que o aumento generalizado do custo de vida está a agravar ainda mais as dificuldades enfrentadas pelo sector.
“A vida está mais cara para todos. Continuamos a trabalhar para garantir o peixe e sustentar as nossas famílias, mas cada vez se torna mais difícil”, acrescentou.
Muitos pescadores trabalham para proprietários de embarcações e dizem estar sob pressão para assegurar receitas diárias, independentemente dos obstáculos encontrados. “Eu sou pescador, mas o barco não próximos meses. sem que tenham recebido respostas concretas.
“Já nos reunimos para reclamar da situação porque queremos preços mais estáveis e melhores condições de trabalho. Levámos as nossas preocupações à associação dos pescadores, mas até agora não tivemos qualquer resposta. Este é o nosso sustento e é daqui que alimentamos as nossas famílias”, disse um dos entrevistados.
Os operadores consideram que o aumento generalizado do custo de vida está a agravar ainda mais as dificuldades enfrentadas pelo sector. “A vida está mais cara para todos. Continuamos a trabalhar para garantir o peixe e sustentar as nossas famílias, mas cada vez se torna mais difícil”, acrescentou.
Muitos pescadores trabalham para proprietários de embarcações e dizem estar sob pressão para assegurar receitas diárias, independentemente dos obstáculos encontrados.
“Eu sou pescador, mas o barco não é meu. Trabalho para um patrão e a maioria das pessoas aqui encontra-se na mesma situação. Temos de garantir rendimento para o proprietário da embarcação e também algum sustento para nós. Com a subida dos preços e a escassez de combustível, a situação torna-se extremamente complicada”, explicou.
Segundo os relatos, uma parte significativa do tempo que deveria ser dedicada à pesca está actualmente a ser consumida na procura de combustível.
“O tempo que devíamos passar no mar é gasto à procura de combustível. Não podemos levar os barcos até às bombas e somos obrigados a percorrer longas distâncias para conseguir abastecer. Isso afecta directamente a nossa produtividade”, referiu.
Os custos operacionais, acrescentam, são cada vez mais elevados quando comparados com as receitas obtidas.
“Só para sair daqui para o mar gastamos mais de 60 litros de combustível. Numa viagem conseguimos trazer cerca de dez caixas de peixe. Cada caixa é vendida por aproximadamente mil meticais. Com esse valor temos de comprar mais combustível, garantir a receita do patrão e ainda tentar assegurar algum rendimento para nós. Muitas vezes sobra muito pouco”, lamentou um dos profissionais.
A situação está a gerar crescente preocupação entre vendedores e pescadores, que alertam para o risco de agravamento dos preços caso persistam os problemas de abastecimento de combustível. Enquanto isso, os consumidores enfrentam custos cada vez mais elevados para adquirir um dos produtos mais presentes na dieta alimentar das famílias moçambicanas.
Os operadores do sector defendem que, sem medidas que garantam maior disponibilidade de combustível e reduzam os custos de operação e transporte, o mercado do pescado continuará sob forte pressão nos próximos meses.




