Há mais de seis meses que o abastecimento regular de combustíveis e o alto preço do produto se revelam um problema para os utentes diários. Mas as dificuldades não se ficam pelo bolso do cidadão. O presidente do Conselho de Administração da Associação dos Retalhistas de Combustíveis de Moçambique (ARCOMOC), Luiz Pereira, afirma que o próprio sector enfrenta vários desafios que condicionam a actividade dos operadores, com destaque para a dificuldade de rentabilização do negócio. A informação foi avançada em entrevista concedida à margem do primeiro seminário da PETROMOC, realizado no âmbito da FACIM.
Texto: Arton Macie
Para os retalhistas, a rentabilidade da actividade constitui actualmente o principal desafio. Luiz Pereira explicou que a dificuldade surge numa situação económica que não se restringe a Moçambique, mas está relacionada com o fornecimento regular do combustível no mercado internacional.
“Neste momento, o nosso desafio é a rentabilização da nossa actividade. Estamos numa situação económica que não abrange só Moçambique, a nível internacional, que é o fornecimento regular do produto, que é combustível”, afirmou
O dirigente disse que o sector tem recebido acompanhamento do Governo, através da DNHC e da RAN, com visitas aos operadores para perceber o que está a acontecer no terreno em relação ao fornecimento de combustível. Este acompanhamento tem ocorrido num momento em que os retalhistas procuram assegurar a disponibilidade do produto para os consumidores.
“Temos tido o suporte do Governo, através da DNHC, através da RAN, que tem estado a fazer visitas constantes aos retalhistas e procurar perceber o que está a acontecer no terreno, que é aquilo que é o fornecimento combustível”, declarou.
Preocupação com o abastecimento em tempo real
A garantia do abastecimento ao público é apontada pelo representante dos retalhistas como uma preocupação do sector, sobretudo perante os constrangimentos que têm marcado o fornecimento de combustível.
“Nós, como retalhistas, temos a preocupação de garantir o fornecimento para o público em tempo real”, disse.
Questionado sobre os desafios associados especificamente à situação do Médio Oriente e sobre o funcionamento do mercado depois de mais de seis meses marcados por essa conjuntura, Pereira começou por apontar a dimensão do mercado moçambicano. Segundo o dirigente, o país importa mais de 100 milhões de dólares em combustível por mês.
“O nível de importação em Moçambique ultrapassa 100 milhões de dólares mensais. É um consumo expressivo e dizer que, geograficamente, os nossos portos também movimentam muito combustível em trânsito”, afirmou.
Pereira acrescentou que a posição geográfica do país permite que Moçambique tenha acesso ao mercado internacional. Sobre a influência da conjuntura internacional, o PCA da ARCOMOC reafirmou que as questões geopolíticas não afectam apenas Moçambique e têm reflexos sobre o preço internacional dos combustíveis.
“As questões geopolíticas não estão inerentes a qualquer actividade só de Moçambique. Isso abrange, ao nível internacional, o preço do combustível internacional”, explicou.
Perante esta situação, o dirigente indicou que estão a ser criadas soluções para garantir o fornecimento regular de combustível, não avançando detalhes sobre todas as medidas em preparação, mas assegurando que o Estado está a garantir o fornecimento do mercado.
“Já estão a ser criadas soluções para o fornecimento regular”, disse.
Decreto que permite comprar a várias distribuidoras é positivo
Na mesma vertente, o PCA da ARCOMOC saúda o decreto que permite aos retalhistas adquirir combustível em diferentes distribuidoras, podendo recorrer àquela que tenha capacidade para fornecer o produto. Pereira considerou que a medida tem um impacto positivo num momento em que o país enfrenta dificuldades de acesso a divisas.
“Este é um impacto positivo numa situação em que o país enfrenta a situação das divisas”, afirmou.
Segundo explicou, antes da medida os retalhistas estavam vinculados a uma única distribuidora, enquanto o novo mecanismo lhes permite procurar outra que tenha produto disponível e capacidade de fornecimento. A ARCOMOC vê essa possibilidade de forma positiva.
“Este decreto que permitiu aos retalhistas poderem comprar não só numa única distribuidora, poderem ter acesso para aquela que tem capacidade de fornecer, nós olhamos isso com um bom gosto, porque gostamos disso”, declarou. P
ereira relacionou directamente a medida com a possibilidade de os retalhistas continuarem a trabalhar e a abastecer os consumidores. Segundo afirmou, o acesso ao produto permitiu manter a actividade e assegurar o fornecimento ao público sem interrupções.
“Isso nos permitiu poder ter o produto, poder alimentar a nossa actividade e conseguir fornecer ao público sem interrupção”, disse.
O dirigente acrescentou que a medida permitiu assegurar maior regularidade no fornecimento do mercado, manifestando, em nome dos retalhistas, reconhecimento pela comunicação feita sobre a decisão. “Então, esta medida permitiu haver aqui uma regularidade do fornecimento do mercado. Então, nós, como retalhistas, agradecemos a comunicação”, afirmou.
Sector apoia digitalização das operações
Para além do abastecimento, a associação apoia a digitalização das operações dos retalhistas. Pereira considera que o recurso a ferramentas digitais poderá permitir o controlo das operações em tempo real, reduzir perdas durante as descargas de combustível, melhorar o controlo da facturação e reforçar a gestão de recursos humanos.
“Nós, como retalhistas de combustível, apoiamos a digitalização do nosso sector”, afirmou




