O governador de Inhambane, Francisco Manuel Pagula, defende que as potencialidades económicas da província devem traduzir-se em emprego, rendimento e melhores condições de vida para as comunidades locais, em vez de permanecerem apenas em projectos e promessas de investimento.
Texto: Anastácio Chirrute
Falando recentemente, na cidade da Maxixe, durante a Conferência sobre a Visão de Desenvolvimento Sustentável da Província de Inhambane, Pagula apelou a uma reflexão crítica sobre os resultados das anteriores conferências de investimento e à adopção de medidas concretas para transformar os recursos disponíveis em benefícios para a população.
“Chega de projectos nos papéis, queremos que a riqueza vire pão na mesa”, afirmou o governante, perante empresários, académicos, membros do Governo, parceiros de cooperação e representantes da sociedade civil.
Pagula recordou que Inhambane realizou duas grandes conferências de investimento, em 2017, na cidade de Inhambane, e em 2023, em Vilankulo, iniciativas que contribuíram para divulgar as oportunidades económicas da província e atrair intenções de investimento. Contudo, defendeu que é necessário avaliar quantos dos compromissos assumidos avançaram para a implementação e produziram resultados concretos.
“Não basta contabilizar os projectos apresentados, os investidores contactados ou os compromissos formalmente assumidos. Precisamos de compreender quantos desses compromissos evoluíram para projectos estruturados, quantos chegaram à fase de financiamento, quantos iniciaram a implementação e quantos estão efectivamente a produzir resultados em termos de emprego, produção e geração de renda”, sublinhou.
Preparação da conferência de investimentos de 2027
O governador explicou que o encontro da Maxixe tem um carácter estratégico e preparatório para a Conferência de Investimentos prevista para 2027. O propósito é identificar os constrangimentos que impedem a concretização das oportunidades existentes e criar condições para que os investimentos se traduzam em resultados tangíveis.
Nesse sentido, apontou quatro áreas prioritárias para o debate: economia e desenvolvimento produtivo; infra-estruturas, energia e conectividade; ambiente, mudanças climáticas e gestão territorial; e governação, investimento e financiamento.
Na área produtiva, Pagula questionou a limitada transformação local dos produtos e defendeu o fortalecimento do empresariado provincial, de modo a garantir que a produção gere maior valor acrescentado e alcance os mercados.
Quanto às infra-estruturas, destacou a importância das ligações rodoviárias entre os centros de produção e os mercados, apontando a estrada Mapinhane–Pafúri e a reabilitação da N240 como intervenções relevantes para reduzir os custos de circulação de pessoas e mercadorias.
No domínio ambiental, alertou para a necessidade de conciliar a exploração dos recursos minerais com a protecção da faixa costeira e do potencial turístico da província, sem descurar os riscos associados aos ciclones, à seca e às mudanças climáticas.
Sobre a governação e o financiamento, defendeu maior transparência, prestação de contas e um diálogo efectivo entre os sectores público e privado, acompanhado de procedimentos administrativos mais céleres e previsíveis.
“Não devemos ter receio de identificar aquilo que precisa de ser melhorado; devemos transformar cada constrangimento numa oportunidade de reforma”, afirmou.
Turismo, agricultura e indústria ligados à economia local
Pagula reafirmou o compromisso do Governo provincial com quatro pilares estratégicos: turismo, agricultura, industrialização e exploração sustentável dos recursos naturais. Sublinhou, contudo, que estes sectores devem funcionar de forma articulada, permitindo, por exemplo, que a agricultura abasteça as unidades turísticas e que a indústria transforme a produção local.
Para o governante, o desenvolvimento não deve ser avaliado apenas pelo volume de investimentos ou pela qualidade dos instrumentos de planificação, mas também pelo impacto directo na vida das famílias.
“A verdadeira medida do desenvolvimento é aquela que se reflecte na mesa de cada família, na dignidade de cada cidadão e na esperança que conseguimos devolver às nossas comunidades”, declarou.
O governador estabeleceu ainda como meta, a médio e longo prazo, reduzir a fome na província e garantir que todas as famílias tenham acesso a alimentos em quantidade e qualidade suficientes para uma vida digna.
Os trabalhos da conferência deverão culminar com a aprovação de uma declaração que estabeleça linhas de orientação para a concretização dos compromissos assumidos, numa tentativa de transformar as conclusões do encontro em acções com impacto na vida da população de Inhambane.




