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Oil & Gas: barreira de financiamento limita participação de empresas nacionais

A falta de capital está a dificultar a entrada e a consolidação das empresas moçambicanas na cadeia de fornecimento da indústria de gás natural liquefeito (GNL), obrigando alguns fornecedores a financiar até quatro meses de operações antes de receberem pelos serviços prestados. O problema ameaça limitar a participação nacional num dos sectores que concentram os maiores investimentos do País.

Segundo uma publicação do Shore Africa, um estudo realizado pela MozUp, em 2024, junto de 104 fornecedores nacionais revelou que apenas 27% tinham acesso a empréstimos bancários. Mais preocupante ainda, 84% dos inquiridos afirmaram que o financiamento formal disponível cobria menos de metade das suas necessidades.

A dimensão desta dificuldade levou o Standard Bank e a Câmara de Petróleo e Gás de Moçambique a estabelecer uma parceria destinada a melhorar as condições de acesso ao financiamento e preparar as micro, pequenas e médias empresas nacionais para concorrerem a oportunidades na indústria energética.

O presidente da Câmara de Petróleo e Gás, Florival Mucave, explicou que os fornecedores podem esperar entre 90 e 120 dias para receberem depois da conclusão dos serviços. Este intervalo obriga as empresas a dispor de recursos financeiros suficientes para pagar salários, adquirir materiais e suportar outros encargos operacionais enquanto aguardam pelos pagamentos.

Na sua perspectiva, aumentar a presença de empresas nacionais nos grandes projectos de energia exige uma intervenção articulada entre bancos, associações empresariais e promotores dos empreendimentos.

Foi neste contexto que, a 2 de Novembro, em Maputo, as duas instituições assinaram um memorando de entendimento, que prevê iniciativas de capacitação empresarial, facilitação do acesso ao crédito e aproximação dos fornecedores aos operadores da indústria.

A estratégia do Standard Bank não se limita à disponibilização de produtos financeiros. Pretende igualmente preparar as empresas para responderem às exigências técnicas, financeiras e operacionais dos grandes projectos, condições determinantes para a conquista e execução de contratos.

A directora de Banca Empresarial e Comercial do Standard Bank, Márcia Karim, afirmou que a parceria deverá contribuir para melhorar a preparação das empresas e facilitar o acesso a instrumentos de financiamento e oportunidades comerciais.

A iniciativa dá continuidade a programas de apoio ao empreendedorismo promovidos pelo banco. Entre 2021 e 2024, cinco edições do programa iCreate envolveram cerca de 120 empresas e empreendedores de diferentes sectores. Já em 2025, as masterclasses da instituição reuniram mais de 1.600 participantes, com formação em gestão financeira, acesso ao financiamento, marketing digital e estratégia empresarial.

O banco disponibiliza igualmente a plataforma digital Empreenda, que integra 28 módulos gratuitos de formação em empreendedorismo.

Por sua vez, o director de Banca Corporativa e de Investimento do Standard Bank, João Guirengane, defendeu uma intervenção mais abrangente da instituição no desenvolvimento empresarial, incluindo mecanismos de incubação e facilitação de ligações comerciais.

A parceria com a Câmara de Petróleo e Gás pretende, assim, aproximar empresas nacionais dos grandes operadores do sector, criando condições para que fornecedores com capacidade técnica possam transformar essa preparação em contratos concretos.

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